A gente nasce vulnerável,
Reprimidas desde cedo,
Crescemos com medo,
Em uma realidade deplorável.
O mundo é deles, não é nosso,
Nunca foi nosso...
Um dia resolvemos nos levantar
Não mais nos calar...
Mas sempre calam a nossa voz.
Quase sempre, somos a maioria,
Mas sempre nos veem como minoria,
E seguimos sós...
Porque o mundo é deles, não é nosso.
Em tudo somos julgadas,
Até quando somos vítimas,
Estamos erradas.
Amam nossos corpos em seus leitos,
Mas nos odeiam.
Suas vozes mais altas nos rodeiam,
Invalidando nossos direitos,
E o direito de ter direito,
Em um mundo injusto e imperfeito.
A emoção briga com a razão
E perdermos a consciência.
Enxergamos amor onde não há,
Qualquer migalha vira banquete.
Tememos que esse pouco se vá,
E permitimos que nosso coração vire tapete.
Do amor e de nós mesmas, a ausência,
Então, nos vestimos de carência,
E nos entregamos à dependência.
Fruto da insegurança,
De quando pintaram nossos espelhos
Para nos enxergarmos sempre pior,
Ensurdecidas para os bons conselhos,
Sem acreditar que merecemos o melhor.
poesia reflexiva
Publicado originalmente na e-Revista Literúnico em 18/06/2024. A página antiga registra a data sem horário.