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O silêncio também pode responder

Ausência, expectativa e os sentidos produzidos pelo que não retorna

avatar por Ellen
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Uma resposta costuma ser imaginada como presença: uma frase, um gesto, um sinal inequívoco. O silêncio parece ocupar o lugar oposto, como se fosse apenas intervalo entre a pergunta e aquilo que realmente importa. Nem sempre é assim.

Quando uma voz não retorna, a ausência modifica a pergunta. Pode revelar distância, recusa, impossibilidade ou um tempo diferente de elaboração. Nenhuma dessas interpretações é automática, mas todas mostram que o silêncio produz efeitos concretos. Também existe um silêncio que protege. Nem toda experiência precisa ser explicada imediatamente e nem toda intimidade deve ser entregue porque alguém perguntou. Guardar uma resposta pode preservar o direito de encontrar uma linguagem própria.

Na solidão, porém, o silêncio muda de natureza. Já não é possível atribuí-lo com segurança a uma intenção. O mundo fica repleto de sinais sem remetente: uma porta que permanece aberta, um ruído breve, um objeto no lugar conhecido. A personagem escuta porque precisa descobrir se ainda existe relação.

A literatura usa esse espaço para ampliar a atenção. Sem diálogo, pequenas alterações adquirem intensidade. O leitor aprende que uma resposta pode estar na duração de uma cena, na repetição de uma imagem ou na diferença entre o que deveria acontecer e o que aconteceu.

O silêncio também pode responder, mas raramente oferece uma resposta única. Ele devolve a pergunta transformada e obriga quem escuta a reconhecer quanto de sentido estava esperando receber de outra presença.

Este ensaio integra a revista Somos Nossas Testemunhas e Memórias e dialoga com Quem é Ellen?.


Publicado na revista Somos Nossas Testemunhas e Memórias em 05/08/2026 às 21:33.

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