@tibianchini
hĂĄ 1 ano
PĂșblico
O Sulfite e o Pecado
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O papel era branco, ingĂȘnuo, imaculado
atĂ© que a caneta â essa serpente â
deslizou seu veneno em vai-e-vens molhados,
enchendo margens de versos indecentes.
O tĂtulo? Um disfarce: "Soneto Inocente".
Mas o corpo do texto, ah!, traĂa o enunciado:
O verso era quente, a rima, ardente,
com trocadilhos que ninguém interpreta errado...
E quando a tinta secou, jĂĄ era tarde: sem mais pretextos,
o sulfite gritava "mais!" em itĂĄlico e Caixa-alta,
enquanto a caneta, satisfeita, nas folhas abertas
descansava â mas sĂł atĂ© a prĂłxima pauta.
Moral da história? Até o mais puro dos textos
vira pornografia culta nas mĂŁos certas...