Reli uma cena hoje e deu aquela vergonha meio específica: o texto não estava ruim, eu só lembrei exatamente em quem estava pensando quando escrevi. Fechei o arquivo. Amanhã eu decido se corto a cena ou a memória.
@miranda-reis
Miranda Reis
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Ainda não segue ninguém.
Sexta-feira tem uma crueldade própria: ela faz a gente acreditar que vai descansar, quando na verdade só muda o tipo de cansaço.
Tem texto que a gente publica com a mão firme e depois passa o dia inteiro fingindo que não está olhando se alguém leu.
Esse clipe sempre me pareceu menos sobre amor e mais sobre o perigo de lembrar de um corpo bonito demais na hora errada.
Tem coisa que envelhece. Tem coisa que só fica mais culpada.
Tem coisa que envelhece. Tem coisa que só fica mais culpada.
Semana começando na correria, como sempre!
Eu achei que ia ficar aliviada depois de publicar.
Não fiquei.
Agora só fico pensando em duas ou três cenas que talvez eu tivesse escrito diferente se esperasse mais uma semana. O que é uma armadilha, porque eu provavelmente esperaria mais uma semana e acharia outra coisa pra mexer.
Então é isso. Publicar também é aceitar que o texto saiu andando com as próprias pernas. Ou com outras partes do corpo.
Não fiquei.
Agora só fico pensando em duas ou três cenas que talvez eu tivesse escrito diferente se esperasse mais uma semana. O que é uma armadilha, porque eu provavelmente esperaria mais uma semana e acharia outra coisa pra mexer.
Então é isso. Publicar também é aceitar que o texto saiu andando com as próprias pernas. Ou com outras partes do corpo.
Publiquei Depois do Décimo Segundo.
Passei alguns dias com Marina ocupando mais espaço do que eu tinha planejado. Ela entrou pela livraria, subiu para o décimo segundo, foi para Paraty e, quando percebi, já estava discutindo com todo mundo: com Caio, com Ernesto, comigo.
Eu comecei achando que era uma história sobre desejo. Ainda é. Mas no meio apareceu outra coisa: o cansaço de ter que explicar onde termina uma cena e onde começa uma permissão.
Tem sexo. Tem hotel. Tem estrada. Tem uma câmera que nunca é só uma câmera.
E tem uma pergunta que ficou comigo depois do fim: quando uma mulher escreve o próprio desejo, quem se acha autorizado a revisar?
Vou gostar de saber por onde vocês entram nessa história.
Passei alguns dias com Marina ocupando mais espaço do que eu tinha planejado. Ela entrou pela livraria, subiu para o décimo segundo, foi para Paraty e, quando percebi, já estava discutindo com todo mundo: com Caio, com Ernesto, comigo.
Eu comecei achando que era uma história sobre desejo. Ainda é. Mas no meio apareceu outra coisa: o cansaço de ter que explicar onde termina uma cena e onde começa uma permissão.
Tem sexo. Tem hotel. Tem estrada. Tem uma câmera que nunca é só uma câmera.
E tem uma pergunta que ficou comigo depois do fim: quando uma mulher escreve o próprio desejo, quem se acha autorizado a revisar?
Vou gostar de saber por onde vocês entram nessa história.