Universo da obra
Universo da obra
Ernesto Valadares tinha a capacidade rara de ocupar uma recepção pequena como se ela fosse extensão natural de um auditório. Não levantava a voz, não gesticulava demais, não tropeçava em ninguém; ainda assim, conseguia fazer com que a fila, o balcão, as ecobags e a moça da organização parecessem dispostos ao redor dele por alguma espécie de erro hierárquico. Marina reparou primeiro na camisa clara, depois no livro debaixo do braço, depois na mala pequena com rodinhas pretensiosamente silenciosas, dessas que pareciam compradas por alguém que dizia “deslocamento” em vez de viagem. O sorriso dele veio pronto, com a mesma inclinação estudada da noite anterior, e Marina sentiu a frase sobre o farelo de bolo voltar ao corpo antes de voltar à cabeça. Caio continuou ao lado dela, câmera desligada, uma das mãos na alça da mochila, o rosto sem expressão útil para Ernesto usar.
— Ernesto — Marina disse, puxando a alça da mala. — Espero que Paraty tenha farelo de bolo suficiente para nós dois.
— Ainda pensando no nosso debate de ontem? — Ernesto perguntou, com uma alegria mansa que devia funcionar muito bem com plateias cansadas.
— Debate exige duas pessoas falando da mesma coisa.
Caio olhou para o chão por um segundo. Marina não precisava olhar para saber que ele tinha gostado. Ernesto, por sua vez, aceitou a resposta como se ela confirmasse algum diagnóstico privado. Esse era um dos truques dele: transformar corte em material, transformar impaciência feminina em prova de que ele tocara num nervo conceitual. A moça da recepção chamou o nome de Marina antes que ele encontrasse outra frase, e isso salvou todos de uma primeira colisão prematura. Marina entregou o documento, assinou duas fichas, recebeu uma chave com número escrito em etiqueta de papel e uma sacola do festival com programação impressa, bloco, caneta, garrafa metálica e um crachá preso por cordão cru. No crachá, abaixo do nome dela, lia-se “autora convidada”. No de Ernesto, que já pendia sobre a camisa, lia-se “crítica e ensaio”. Ela achou aquela categoria quase uma confissão involuntária.
— Sua mesa abre às dezenove — a produtora disse, procurando algo numa lista. — Às dezoito e vinte a gente te busca no hotel para passar pelo camarim técnico. A entrevista do canal ficou para amanhã de manhã, antes da mediação com as autoras estrangeiras. E a sessão “Depois das Dez” continua confirmada.
— Ótimo — Marina respondeu, embora nada naquela sequência merecesse o nome de ótimo.
— A equipe de foto vai circular no hotel e nos bastidores, tudo bem?
Marina sentiu Caio mexer quase nada ao lado dela. A produtora disse aquilo sem maldade, como quem avisava sobre café disponível ou troca de pulseira. Marina olhou para o crachá ainda sobre o balcão, depois para a caneta promocional com o logotipo do festival, depois para Caio. Ele não se adiantou. Não fez cara de cúmplice. Não tentou salvar a resposta dela antes que ela escolhesse o tamanho da própria exigência.
— Bastidor meu só com autorização minha — Marina disse. — Foto de mesa, palco e imprensa, tudo bem. Corredor, quarto, refeição, intervalo ou cara de quem acabou de ouvir pergunta idiota, pergunta antes.
A produtora piscou uma vez, processando a lista.
— Claro. Posso avisar a equipe.
— A equipe inclui ele — Marina disse, apontando para Caio sem virar o corpo inteiro.
— Eu já avisei a coordenação por telefone — Caio disse. — Repito no grupo, se precisar.
Ernesto acompanhava a conversa com o prazer mal escondido de quem encontra uma falha por onde entrar. Marina percebeu antes da fala.
— Interessante essa preocupação com a gestão da própria imagem — ele disse. — Pensando na sua mesa de hoje, imagino que isso dialogue com a tensão entre autoria e exposição.
— Ernesto, eu acabei de pegar uma chave e pedir que ninguém me fotografe comendo mamão amanhã cedo — Marina disse. — Você consegue esperar pelo menos até a segunda taça de vinho para transformar isso em conceito?
A produtora fingiu tossir. Caio abaixou a cabeça para conferir uma mensagem que talvez nem existisse. Ernesto sorriu com a boca, sem os olhos, e recuou meio passo. Marina recebeu a sacola, a chave e o crachá. Ao virar, sentiu o peso da chegada assentar nos ombros: a rua estreita, a umidade grudada no cabelo, as vozes conhecidas surgindo de pontos diferentes, a programação dobrada dentro da bolsa, Caio a dois palmos de distância e Ernesto já instalado no primeiro capítulo público de Paraty. Ela queria banho. Queria trocar a roupa da estrada. Queria cinco minutos sem ninguém perguntando nada. Também queria, com uma inconveniência que a irritou, fechar a porta do quarto com Caio dentro e terminar a despedida que não dera na calçada.
O quarto de Marina ficava no segundo andar, no fim de um corredor com piso frio, janelas azuis abertas para uma parede coberta de umidade e uma mesa estreita onde alguém colocara uma jarra de água com rodelas de limão. A mala fez barulho demais sobre o piso irregular. Caio subiu junto porque a produtora pedira que ele deixasse uma parte do equipamento numa sala próxima e porque os dois fingiram, com sucesso mediano, que aquilo explicava a coincidência de rota. Quando chegaram à porta dela, Marina encostou o cartão na fechadura e a luz vermelha piscou. Tentou de novo. Vermelha. Tentou uma terceira vez, agora com menos paciência e mais força, como se cartão magnético respeitasse ameaça física.
— Deixa eu tentar? — Caio perguntou.
— Você quer mesmo transformar a abertura de uma porta em demonstração de competência masculina?
— Quero dormir vivo hoje, então não.
Marina desceu a mala, respirou pelo nariz e procurou o envelope da recepção na bolsa. A chave reserva estava ali, analógica, presa a uma plaquinha de metal que parecia ter sobrevivido a várias administrações. Ela abriu a porta com a chave antiga e entrou. O quarto era menor que o de São Paulo, com cama de casal, ventilador de teto, ar-condicionado instalado alto demais, uma escrivaninha estreita, cortinas brancas e uma varanda minúscula voltada para telhados baixos. Havia um vaso com flores artificiais sobre o criado-mudo. Marina olhou para ele por tempo suficiente para decidir que o odiava.
Caio ficou do lado de fora.
— Vai ficar aí porque é educado ou porque está esperando convite formal? — Marina perguntou, deixando a mala junto à cama.
— Estou esperando você decidir se quer que eu entre.
Marina largou a sacola do festival sobre a escrivaninha, tirou o crachá e o jogou por cima da programação. O cordão caiu enrolado sobre a palavra “abertura”. Ela ficou olhando para aquilo alguns segundos, depois para Caio. A prudência dele, quando não vinha acompanhada de covardia, estava começando a produzir nela um efeito perigoso. Não era a obediência que excitava. Era o intervalo em que ele esperava que a vontade dela aparecesse inteira, sem arrancá-la pela metade.
— Entra — ela disse.
Caio entrou e fechou a porta, sem trancar. Marina reparou nesse detalhe e atravessou o quarto para girar a chave. A fechadura fez um estalo seco, pequeno, suficiente para mudar a pressão do ar entre eles. Ele deixou a mochila no chão, perto da escrivaninha, e tirou a câmera do ombro com cuidado. Marina se irritou com o cuidado e com a própria atenção ao cuidado. Queria arrancar dele a postura profissional antes que ela se colasse de novo. Queria também uma confirmação do que tinha acontecido na estrada sem precisar dizer “aquilo aconteceu e agora estamos aqui”. Tirou os óculos escuros da cabeça, colocou sobre o criado-mudo, puxou o elástico do cabelo e deixou os fios caírem, presos no suor da nuca.
— Ernesto vai tentar te usar hoje — Caio disse.
Marina olhou para ele pelo espelho pequeno preso à porta do armário.
— Isso é observação ou aviso?
— Os dois.
— E você?
— Eu?
— Vai tentar me usar como quê?
Caio demorou pouco, menos do que ela esperava.
— Como fotografia, não. Como desculpa para ficar perto, talvez.
A resposta entrou em Marina por um lugar inconveniente. Ela preferia quando ele errava; era mais fácil. Aproximou-se dele devagar, sem encenação, passando pelos próprios sapatos jogados perto da mala, pela bolsa aberta, pelo cordão do crachá caído no chão depois de escorregar da mesa. Parou perto o bastante para sentir o cheiro dele: estrada, sabonete da pousada, café e pele. Havia a marca na clavícula, escondida parcialmente pela gola, uma pequena assinatura vermelha que ela tinha deixado e depois coberto na calçada.
— Você sabe que eu tenho mesa em poucas horas — Marina disse.
— Sei.
— Sabe que meu cabelo está ruim, minha roupa está amassada e eu deveria estar relendo o texto.
— Sei.
— Sabe que se alguém bater nessa porta, você vai ter que sair com cara de fotógrafo oficial e eu vou ter que fingir que não estava pensando em sentar na sua boca.
Caio inspirou devagar. A mão dele não tocou nela, e isso foi quase pior.
— Agora eu sei.
Marina segurou a gola da camisa dele e puxou. O beijo veio menos urgente que o da pousada e mais perigoso por isso. Tinha a chegada, a chave girada, o corredor do lado de fora, Ernesto a alguns andares abaixo, a mesa da noite esperando para cobrar dela uma versão articulada do que o corpo queria dizer sem bibliografia. Caio colocou as mãos na cintura dela, primeiro leves, depois mais firmes quando ela mordeu a boca dele. Marina sentiu o pau dele endurecer contra a calça e sorriu sem interromper o beijo. A excitação dele vinha rápida demais para combinar com a prudência da conversa, e essa contradição a agradava.
— De joelhos — ela disse, soltando a boca dele.
Caio obedeceu. A imagem dele ajoelhado no quarto claro, com a câmera desligada perto da escrivaninha e o crachá ainda no bolso da camisa, deu a Marina uma satisfação quase indecente antes de qualquer toque. Ela abriu o botão da calça, desceu o zíper e empurrou o tecido até metade das coxas junto com a calcinha. Não queria tirar tudo. Queria a pressa parcial, a roupa no caminho, a prova de que ainda estava entre chegada e apresentação pública. Caio apoiou as mãos nas coxas dela e olhou para cima.
— Posso? — ele perguntou.
— Se você fizer pergunta bonita demais, eu mando você voltar para o credenciamento.
Ele riu contra a pele dela, e o riso morreu quando encostou a boca na buceta. Marina segurou o cabelo dele com uma mão e a borda da escrivaninha com a outra. A primeira lambida veio funda, sem rodeio, e ela fechou os olhos, soltando o ar por entre os dentes. O quarto tinha paredes finas, ou parecia ter. Do corredor vinha o som de uma mala passando, alguém falando ao telefone, uma porta batendo. Aquilo deixava a cena mais apertada, mais suja de consequência. Caio chupava com a precisão de quem tinha aprendido rápido o que ela queria: língua no clitóris, dedos na entrada, pressão suficiente para fazer o quadril dela procurar a boca sem desmontar a postura inteira.
— Assim — Marina disse, baixo. — Não inventa.
Ele não inventou. Enfiou dois dedos nela, curvou a mão, manteve a boca no clitóris, e Marina sentiu o prazer subir antes do tempo, alimentado pela estrada, pela pousada, pela raiva de Ernesto, pela pergunta da produtora, pelo crachá sobre a mesa, pelo absurdo de estar quase nua da cintura para baixo a três horas de falar em público sobre pornografia e autoria. Ela puxou o cabelo dele com mais força. Caio gemeu contra ela, e a vibração fez Marina bater a cabeça de leve na parede atrás da escrivaninha.
Bateram na porta.
O som foi baixo, dois toques hesitantes, provavelmente de alguém da organização. Marina abriu os olhos. Caio parou com a boca ainda encostada nela, os dedos imóveis dentro dela, e olhou para cima. Por um segundo, nenhum dos dois respirou direito. A batida veio de novo.
— Marina? — uma voz feminina chamou do corredor. — Desculpa incomodar. É da produção. Vim deixar a atualização da programação.
Marina fechou os olhos com uma vontade quase cômica de matar alguém por meios administrativos. Caio tirou os dedos devagar, afastou a boca e ficou ajoelhado, sem rir, o que era uma forma avançada de caráter. Ela puxou a calcinha e a calça para cima, fechou o zíper com as mãos um pouco trêmulas e apontou para o banheiro. Caio levantou em silêncio, pegou a câmera e a mochila, e entrou no banheiro sem acender a luz.
— Um segundo — Marina disse, conferindo no espelho se a boca não entregava nada além de irritação.
Abriu a porta só o suficiente. A produtora, uma mulher jovem com rabo de cavalo, tablet e expressão de quem já tinha pedido desculpa demais naquela semana, segurava uma folha impressa.
— Desculpa mesmo. A entrevista do canal passou para depois da sua mesa, porque uma das autoras estrangeiras atrasou voo. E o camarim técnico agora é às dezoito. Também queriam confirmar se a equipe de foto pode te pegar na chegada da mesa.
Marina olhou para a folha, depois para a mulher. Sentia a boca de Caio ainda nela, o clitóris pulsando de irritação e desejo interrompido, a calcinha úmida grudando de um jeito quase ofensivo. Sorriu sem mostrar os dentes.
— Na chegada da mesa, sim. No quarto, nunca.
— Claro — a produtora disse, corando rápido. — Claro. Desculpa.
— Não é pessoal. É política de sobrevivência.
A produtora riu sem saber se podia. Marina pegou a folha, agradeceu e fechou a porta com cuidado. Encostou a testa na madeira por dois segundos. Do banheiro, ouviu Caio mexer em alguma coisa, talvez tentando não existir. Ela trancou a porta de novo.
— Pode sair — Marina disse.
Caio saiu do banheiro com a mochila no ombro e a câmera na mão. Tinha lavado os dedos. Marina reparou porque era o tipo de detalhe que ele fazia sem anunciar, e porque a interrupção deixara sua atenção cruelmente viva.
— Eu vou descer — ele disse.
— Vai fugir?
— Vou trabalhar antes que você precise me esconder em outro cômodo.
— Isso foi quase sensato.
— Eu volto para te fotografar na mesa. Com autorização.
Marina cruzou os braços. O desejo interrompido a deixava mais agressiva que satisfeita. Parte dela queria mandar que ele voltasse para o chão e terminasse o serviço com a porta trancada, a produção que esperasse, Ernesto que morresse de teoria lá embaixo, a programação que pegasse fogo. Outra parte, pior, sabia que a interrupção tinha criado uma tensão mais útil para a noite. Ela falaria melhor assim, com raiva no corpo e a boca dele ainda não concluída entre as pernas.
— Caio.
Ele parou perto da porta.
— Isso não acabou.
— Eu sei.
— Não estou falando em tom poético.
— Eu também não.
Marina abriu a porta para ele. Antes de sair, Caio se aproximou, não para beijá-la, e sim para recolher o crachá dela do chão. Passou o cordão pela mão, desenrolou, colocou sobre a escrivaninha e alisou o plástico com dois dedos. O gesto foi tão doméstico e tão pequeno que Marina teve vontade de xingá-lo. Era muito mais fácil lidar com um homem ajoelhado entre suas pernas do que com um homem que percebia o crachá caído e o deixava onde ela encontraria depois.
— Até a mesa — ele disse.
— Até a mesa — Marina respondeu.
Quando a porta fechou, Marina ficou no meio do quarto, com a folha de atualização numa mão e a outra ainda sentindo o formato do cabelo dele entre os dedos. O ar-condicionado fazia barulho, as flores artificiais continuavam insultando o criado-mudo, e a programação nova informava em letras pequenas que Ernesto participaria também de uma roda informal após a sessão noturna, como convidado extra. Marina leu aquilo uma vez, depois outra, depois riu sozinha, sem humor. Abriu a mala, tirou a blusa vermelha e colocou sobre a cama. Se o festival queria obsceno domesticado, ela iria de vermelho.
Tomou banho sem lavar o cabelo, porque não havia tempo para negociar com o volume. Vestiu a blusa vermelha, uma calça preta de cintura alta e brincos pequenos. Passou batom, tirou, passou de novo mais escuro. Sentou à escrivaninha e abriu a fala. A primeira frase continuava ali: “Na última vez que um homem tentou me explicar o obsceno, havia farelo de bolo na mesa e eu estava com vontade de ir embora.” Marina leu em voz alta. Funcionava. Tinha mesa, tinha bolo, tinha vontade de ir embora, tinha Ernesto sem nome. Acrescentou abaixo, à mão, com a caneta do festival: “Hoje eu fiquei.”
Às dezoito em ponto, a produtora bateu de novo, agora com mais cuidado. Marina pegou o crachá, a pasta com a fala e o celular. No corredor, duas autoras conversavam sobre atraso de voo. Um editor conhecido reclamava da umidade. No fim da escada, Caio estava com a câmera no ombro, falando com outro fotógrafo. Quando viu Marina, não levantou a câmera imediatamente. Esperou. Ela sustentou o olhar dele, depois assentiu quase nada. Só então Caio fotografou. O clique foi discreto, único, sem metralhadora de evento. Marina continuou andando como se não tivesse acabado de autorizar alguma coisa maior do que uma imagem.
No caminho até a tenda principal, Paraty parecia ter aprendido a se vender: pedra molhada, fachada branca, luz amarela acendendo nas janelas, gente bonita demais fingindo desconforto com o próprio crachá, fila para vinho, fila para banheiro, fila para ser vista. Marina passou por tudo com a pasta contra o peito. Ernesto estava perto da entrada da tenda, conversando com dois homens de blazer leve. Viu a blusa vermelha antes de ver o rosto dela. Marina percebeu. Caio também. Dessa vez, quando a câmera subiu, ela não desviou.
— Pronta? — a produtora perguntou.
Marina olhou para a primeira fileira, onde já havia jornalistas, críticos, leitores e gente que depois diria que sempre tinha acompanhado seu trabalho. Viu Ernesto procurando lugar. Viu Caio se posicionando na lateral, sem bloquear passagem, sem pedir dela uma pose. Sentiu ainda no corpo a boca dele interrompida, a estrada, a pousada, o quarto, a chave, a frase que abrira no texto como uma rachadura.
— Pronta, não — Marina disse, ajustando o microfone preso à blusa. — Disponível.
Romance erótico contemporâneo centrado em Marina, escritora de literatura hot, e Caio, fotógrafo do circuito editorial. A obra acompanha desejo, imagem, autoria e a disputa sobre quem tem direito de narrar o corpo de uma mulher.
Publicado no Aurora/Literunico com leitura em capítulos.
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